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By Patologia da Coluna

Patologias da Coluna Cervical

Quando se fala em coluna, no primeiro instante vem à mente a região lombar. Mas deve-se lembrar que a coluna se estende desde a base do crânio até o cóccix. As vértebras cervicais são bem menores e o canal medular é proporcionalmente maior nesta parte do corpo. A alta mobilidade da coluna cervical também é um outro fator que merece destaque, tanto no seu funcionamento saudável quanto no desenvolvimento de patologias.

De forma geral, podemos dizer que as doenças da coluna cervical são classificadas quanto à natureza: problemas articulares (mecânicos), ósseos, neurais ou mistos. Degeneração dos discos e artroses são questões comuns na região.

Estas condições podem ser aceleradas ou precipitadas pelo envelhecimento, trauma ou uso repetitivo. A despeito das condições degenerativas ou traumáticas da coluna cervical, os tumores primários da coluna são raros, sendo 40 vezes menos presentes do que as lesões metastáticas. Os traumas que acometem a coluna cervical são potencialmente gravíssimos por colocar em risco a medula espinal.

Entre as patologias mais encontradas na região cervical, destacam-se: degeneração discal, uncoartrose, espondiloartrose, degeneração das articulações facetarias, hérnia de disco, osteofitose, estenoses, mielopatia, discite, tumores, fratura, fusão congênita ou adquirida, espondilite anquilosante, instabilidade, artrite reumatoide, invaginação basilar, deformidade coronal ou sagital.

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Orientações pré-consulta

A avaliação de possíveis problemas na coluna de uma pessoa depende de vários fatores, mas pode ser dividida em clínica e radiológica.

As análises de exames radiológicos, como radiografias (raios-X), ressonância magnética e tomografia computadorizada, são de extrema importância em uma consulta com médicos especialistas em coluna. Através da observação detalhada e respaldada por ampla experiência na área, o médico pode diferenciar patologias com os mesmos sintomas, porém que apresentem causas e tratamentos diferentes, assim recomendando o mais adequado para cada caso. Ainda que seja importante, o laudo destes exames nem sempre aponta de forma exata o que pode gerar os sintomas do paciente, sendo que diferentes estágios das patologias devem ser avaliados pelos especialistas em coluna nas próprias imagens dos exames.

Apesar de importantes, os exames de imagem não são totalmente suficientes para um diagnóstico seguro. É imprescindível que o paciente seja avaliado presencialmente. Nesta análise clínica (anamnese), leva-se em conta o histórico da dor/desconforto do paciente, que envolve o início da ocorrência de dor, a situação em que ela apareceu e como ela evoluiu até o momento. O paciente ajuda na construção do diagnóstico ao relatar como a dor aparece em situações diárias e quais práticas pioram ou melhoram o desconforto. O médico especialista faz outras perguntas específicas dependendo do quadro do paciente e ainda realiza testes clínicos para avaliação de mobilidade, força motora, pontos dolorosos, avaliação de compressão e lesão de nervos, entre outros.

Como dica para uma análise mais correta de seu caso em específico, o paciente deve ser avaliado presencialmente, ocasião na qual seus exames radiológicos mais recentes da coluna vão ser detalhadamente avaliados. Com estas medidas, pode-se chegar a um diagnóstico mais preciso, uma consulta eficaz e um tratamento seguro.

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QUINTA EDIÇÃO DO IPC EM REVISTA

O Instituto de Patologia da Coluna acaba de lançar a quinta edição de sua revista voltada à comunidade médica e científica. Com temas que abordam o Trauma tóraco-lombar e os tumores da coluna vertebral, os textos são assinados pelo Dr. Fabio de Oliveira Rosa, ortopedista e integrante do programa de Complementação Especializada em Cirurgia da Coluna; e Dr. Heber Martim, neurocirurgião e membro do time de aperfeiçoamento em cirurgia da coluna do instituto.

Confira a publicação na íntegra: 5º Edição – IPC em Revista

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Osteoporose: tratamento aprovado pela ANVISA e FDA para mulheres em menopausa e homens com alto risco de fraturas

Uma vez detectada a osteoporose, deve-se tomar alguma medida terapêutica, ainda mais se for um quadro avançado. A suplementação hormonal é bastante utilizada, bem como outras drogas, como o Raloxifeno, que preconiza a prevenção de perda óssea na coluna e quadris sem o efeito proliferativo do estrógeno nas mamas e tecido endometrial.

O Alendronato – e outros bifosfonatos – também é muito utilizado, mas sua ação é fraca – seu mecanismo é somente antirreabsortivo e o organismo capta apenas cerca de 1% da dose administrada. Dessa maneira, a busca de tratamentos mais efetivos é algo contínuo, e drogas surgem com eficácia para não só estabilizar, mas reverter a perda óssea.

Um novo tratamento para a osteoporose é a Teriparatida, droga aprovada pela ANVISA e FDA (Food and Drug Administration) para mulheres em menopausa e homens com alto risco de fraturas. É também recomendada a pacientes com osteoporose associada ao alto uso de glicocorticoides sistêmicos. Esse medicamento reduz o risco de fraturas vertebrais em 65% e a fragilidade de fraturas não-vertebrais em pacientes osteoporóticos em cerca de 53% após o uso de aproximadamente 18 meses. No caso de pacientes com osteoporose mais grave, utiliza-se a combinação da Teriparatida com drogas antirreabsortivas.

Mas deve-se lembrar, a avaliação de cada caso é essencial e a prescrição e tratamento só pode ser feito pelo médico especialista.

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Escoliose do Adulto

A Escoliose do Adulto é definida quando as curvas no plano frontal (coronal) apresentam mais de 10 graus de angulação. A doença é muito comum e causa enorme impacto negativo sobre a qualidade de vida da população mais idosa. Ao contrário da Escoliose do Adolescente, no adulto a região predominantemente atingida é a lombar, com apresentação de dores e queixas, sobretudo neurológicas, relacionadas aos membros inferiores.

A Escoliose Degenerativa do Adulto é frequente em indivíduos maiores de 40 anos e com aumento da prevalência na população mais idosa, chegando a até 68% de incidência. É derivada do processo degenerativo da coluna, caracterizado principalmente pelo desgaste assimétrico do disco intervertebral e, além da deformidade coronal, as alterações incluem osteofitoses ou “bicos de papagaio” (como mostrado na imagem em destaque), hipertrofia das facetas articulares, estenose de forame, estenose central do canal medular, instabilidade segmentar e perda do alinhamento global da coluna.

É uma doença que se equipara a outras patologias relacionadas ao envelhecimento, tais como osteoartrose, doenças cardíacas, pulmonares e diabetes. Em relação à qualidade de vida, já foi demonstrado que a escoliose do adulto é de ampla interferência nos quesitos de alinhamento do corpo, autonomia, dor e capacidade funcional global, afetando substancialmente a vida dos pacientes.

Os sintomas predominantes incluem dor lombar mecânica, rigidez da coluna, radiculite/radiculopatia, claudicação neurogênica, perda da força nos membros inferiores e, mais raramente, síndrome da cauda equina.

É de grande importância que o paciente esteja bem informado sobre essa patologia para desmistificar os riscos envolvidos em um procedimento cirúrgico moderno. Estudos demonstram que o tratamento conservador, mesmo de início precoce, é ineficiente e não interfere na evolução da doença. É importante saber que existem diversas formas de cirurgias e com grande impacto positivo no ganho da qualidade de vida e autonomia, quando bem aplicadas caso a caso.

As modalidades cirúrgicas vão desde descompressão isolada, artrodese posterior, artrodese circunferencial com descompressão e cirurgias maiores que envolvem descompressão, artrodese e correção da deformidade.

Pacientes com sintomas moderados de dor, estenose do canal, desalinhamento sagital e deformidade progressiva são os que têm maior benefício com o tratamento cirúrgico, independentemente da idade. Quanto maior for a extensão da deformidade principal e dos achados associados, maior será o benefício da artrodese em relação à descompressão isolada, pois, com essa última alternativa, ainda há risco de progressão da deformidade, persistência do desequilíbrio e uma chance maior de um novo procedimento invasivo cirúrgico no futuro.

O aumento da experiência cirúrgica e os avanços nas técnicas de cirurgia da coluna vertebral permitiram que, nos últimos anos, o tratamento cirúrgico assumisse um papel relevante para a Escoliose do Adulto. Os pacientes tratados cirurgicamente, comparando-se aos tratados de modo conservador, reportam maior redução na sintomatologia dolorosa, melhoria marcada na autoimagem e função da coluna vertebral. Os objetivos gerais do tratamento cirúrgico são principalmente a resolução das estenoses, com ou sem correção da deformidade, estabilização do(s) segmento(s) afetado(s) e reequilíbrio da coluna vertebral.

Ultimamente, a artrodese intersomática extremo-lateral (conhecida como XLIF, ou como LLIF), que utiliza um plano retroperitoneal através do músculo Psoas, vem se popularizando como uma técnica minimamente invasiva de correção da deformidade e artrodese. Essa abordagem permite a reconstrução da coluna anterior, descompressão indireta dos elementos neurais através do restabelecimento da altura discal e realinhamento vertebral. Por ser uma abordagem menos invasiva, a literatura mostra diminuição de alguns riscos associados aos métodos mais invasivos por abordagem anterior ou posterior.

Dos benefícios das cirurgias menos invasivas têm-se a redução de perda sanguínea, diminuição do tempo cirúrgico, menor tempo de internação hospitalar, possibilidade de pós-operatório imediato não ser feito em unidade fechada e deambulação precoce. Tardiamente, as menores taxas de infecção podem fazer uma diferença tanto clinicamente, quanto economicamente para todo o sistema de saúde.

A informação ao paciente é crucial para o tratamento correto da deformidade e dos sintomas associados. É comum que o receio de ser submetido a uma cirurgia seja maior que a perspectiva de se beneficiar. Se o paciente tem uma doença que interfere negativamente na qualidade de vida e autonomia, ele deve ser abastecido de informação para buscar atenção especializada. A cirurgia de coluna tem avançado, as técnicas menos invasivas são realidade e ajudam muito o paciente a restabelecer sua qualidade de vida com riscos cada vez menores.

 

Artigo produzido por:
Dr. Nicholai Pourchet
ortopedista especialista em coluna

 

Referências:

1. Aebi M. The adult scoliosis. Eur Spine J. 2005 Dec;14(10):925-48.
2. Silva FE, Lenke LG. Adult degenerative scoliosis: evaluation and management. Neurosurg Focus. 2010 Mar;28(3):E1.
3. Schwab F, Lafage V, Farcy JP, et al. Surgical rates and operative outcome analysis in thoracolumbar and lumbar major adult scoliosis: application of the new adult deformity classification. Spine (Phila Pa 1976) 2007;32:2723–30.
4. Anand N, Baron EM. Minimally invasive approaches for the correction of adult spinal deformity. Eur Spine J. 2013 Mar;22 Suppl 2:S232-41. 3616471
5. Phillips FM, Isaacs RE, Rodgers WB, et al. Adult degenerative scoliosis treated with XLIF. Spine (Phila Pa 1976) 2013; 38: 1853-1861

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Raios-X durante a gravidez

Muitos dos diagnósticos feitos para o sistema musculoesquelético, inclusive coluna vertebral, são feitos através de exames de imagem que utilizam radiação ionizante. Os principais deles são as radiografias (chamadas também de raios-X) e a tomografia computadorizada (TC). Mas será que estes mesmos procedimentos devem ser utilizados em gestantes?

É aconselhável que estas técnicas sejam evitadas. Doses muito altas de radiação podem causar dano ao DNA e trazer consequências, principalmente, para o bebê durante os três primeiros meses de gestação. No entanto, é possível utilizar esses exames, se for realmente necessário – por exemplo, na hora de verificar uma fratura em caráter de emergência.

Para evitar qualquer risco, uma alternativa ao uso da radiação é a ressonância magnética (RM), que além de não ser contraindicada para gestantes, possibilita um excepcional exame de imagem para diagnóstico médico.

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Obesidade: o surgimento de problemas na coluna

A obesidade é um dos maiores problemas de saúde pública do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Manter uma alimentação calórica, falta ou ausência de atividades físicas e outros hábitos sedentários são algumas das principais causas para o aumento do peso.

Com os quilos a mais, aumenta-se o risco do desenvolvimento de doenças cardíacas, hipertensão e diabetes. Mas o perigo não está apenas no aparecimento destas doenças.

O sobrepeso traz problemas ao pilar do nosso corpo – a coluna. “Se o indivíduo for mais pesado, mais fraco ele se torna. Porque ao mesmo tempo que ele ganha gordura, ele geralmente perde massa muscular e essa combinação gera uma cascata de eventos”, explica o Dr. Luiz Pimenta, diretor do IPC e neurocirurgião especialista em coluna.

Com o corpo mais vulnerável, a região da coluna sofre um desgaste que pode resultar em hérnia de disco, lombalgia, osteoporose, osteoartrite, artrite reumatoide, doença degenerativa de disco, estenose de canal e espondilolisteses.

Assim, para evitar o surgimento de doenças, é preciso investir em hábitos saudáveis, como exercícios físicos – que devem ser feitos sempre com a supervisão de um profissional que indique a atividade mais adequada.

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Curvatura anormal é característica da Camptocormia

A Camptocormia, também chamada de Síndrome da Coluna Vertebral Curvada (do inglês Bent Spine Syndrome – BSS), é definida pela postura anormal do tronco, que se torna mais evidente quando o paciente está em pé, aumentando a curvatura durante a caminhada e desaparecendo quando deitado.

“Esta patologia, especialmente em tempo de guerra, já foi considerada um transtorno psicogênico, mas hoje, além das síndromes psiquiátricas, muitos casos de Camptocormia têm uma origem somática, relacionada a uma série de distúrbios músculo-esqueléticos ou neurológicos”, explica Dr. Ângelo Netto, neurocirurgião do IPC.

O médico ainda afirma que a maioria dos casos de origem muscular está relacionado a uma miopatia idiopática primária de início tardio, aparecendo progressivamente em pacientes idosos. “O diagnóstico de miopatia axial, descrito pela primeira vez por Laroche et al, é baseado no exame de Tomografia computadorizada (CT) ou Ressonância magnética (MRI), que demonstra a infiltração de tecido gorduroso maciça de músculos paravertebrais”, completa.

Em relação ao aspecto histológico (estudo dos tecidos biológicos) não específico, o exame inclui fibrose endomísial extensa e tecido adiposo com fibras degeneradas irregulares. A fraqueza dos músculos paravertebrais pode ser secundária a uma grande variedade de doenças, gerando alterações patológicas difusas no tecido muscular.

“A BSS pode ser o sintoma predominante e, por vezes, revelador de uma desordem muscular mais generalizada. As causas do transtorno secundário são numerosas. Elas devem ser cuidadosamente avaliadas antes de considerar o diagnóstico de miopatia axial primária”, conta o neurocirurgião.

Segundo Dr. Netto, as principais etiologias incluem, por um lado, miopatias inflamatórias, distrofias musculares de início tardio, miopatias miotônicas, endócrinas e metabólicas e, por outro lado, distúrbios neurológicos, principalmente, a doença de Parkinson. “Camptocormia em parkinsonismo é causada por distonia axial, que é a marca registrada da doença de Parkinson”, completa o médico.

Referente ao tratamento para a síndrome, não existe um acompanhamento farmacológico específico para a miopatia axial primária, sendo recomendado ao paciente portador da BSS, a prática de atividades em geral – como caminhadas, fisioterapia e exercícios.

“O tratamento de forma secundária da Camptocormia depende da variedade do distúrbio que gera a patologia muscular. O manejo farmacológico e geral do transtorno na doença de Parkinson se funde com o do parkinsonismo. A cirurgia, com correção da deformidade da coluna, pode ser uma opção, caso o paciente tenha condições e indicações clínicas”, conclui o doutor.

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Como a Síndrome de Marfan afeta a coluna

Você já ouviu falar da Síndrome de Marfan? A doença autossômica dominante (ou seja, a criança recebe de um dos pais o gene mutante que resulta na transmissão da patologia), é caracterizada pela falta ou produção anormal da glicoproteína chamada fibrilina-I, que causa alteração da elasticidade dos tecidos do corpo humano.

O ortopedista do IPC, Dr. Fernando Marcelino, explica que os pacientes com esta síndrome, em geral, apresentam alta estatura e membros longos e finos. “Os dedos, com essa alteração, se assemelham com as patas de uma aranha (aracnodactília)”. São comuns surgirem também deformidades na coluna e na caixa torácica, alterações oculares e anomalias cardíacas.

Entre as deformidades, a mais comum é a Escoliose, que apresenta uma curvatura em forma de “S” ou “C” na coluna. “Essa patologia pode estar presente em até 63% dos pacientes e, muitas vezes, é a condição que faz com que as pessoas procurem orientação médica, tornando o cirurgião de coluna de extrema importância para o diagnóstico da síndrome, uma vez que este é clínico”, diz Marcelino.

Ele ainda conta que esse desalinhamento na coluna, quando surge em pessoas com a Síndrome de Marfan, é semelhante às curvas idiopáticas (sem causa definida), porém apresentam uma progressão mais intensa e normalmente acabam necessitando de correção cirúrgica. Mas antes do procedimento, a avaliação pré-operatória é primordial, devido as frequentes anomalias cardíacas causadas pela doença.

“Os pacientes precisam ser avaliados por um cardiologista, pois as cirurgias podem apresentar mais complicações do que as da escoliose idiopática, por conta da fragilidade dos tecidos inerentes a síndrome”, alerta Dr. Fernando Marcelino.

 

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Curvatura anormal é característica da Camptocormia
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