Patologia da ColunaPatologia da Coluna

By engevibra

Dicas IPC: cuide bem da sua coluna

Dificilmente prestamos atenção à maneira como nos sentamos diante do computador, como arrumamos a nossa casa (lavar, passar, varrer) e até mesmo como caminhamos. Isso pode desencadear problemas na coluna. Não é à toa que a Organização Mundial da Saúde alerta que 80% da população em todo o mundo tem ou terá algum tipo de dor nas costas, em algum momento da vida.
A estrutura corpórea é mantida pelo sistema esquelético, composto por ossos e músculos. Uma das principais partes desse sistema é a coluna vertebral, que se estende da parte de baixo do crânio até a bacia. Composta por ossos (vértebras), articulações (discos intervertebrais) e musculatura adjacente, ela confere sustentação, proteção e movimentação. Todos os elementos componentes da coluna tem que estar em harmonia para um funcionamento impecável.
Ao longo dos anos, a nossa coluna vertebral sofre um desgaste natural. No entanto, é possível evitar certos hábitos – ligados à má postura – durante a realização de atividades cotidianas que aceleram esse processo.
A seguir, listamos algumas dicas valiosas para manter a coluna saudável no trabalho e em casa:
Sentar
» Costas encostadas e eretas, porém não rígidas
» Pernas em um ângulo de 90º
» apoiados no chão ou em apoio apropriado
Computador
» Mantenha a cadeira próxima à mesa, de modo que as costas fiquem retas e totalmente apoiadas no encosto
» Preste atenção na altura da cadeira, para que a mesa fique em uma altura em que o cotovelo forme um ângulo próximo de 90º e seus ombros fiquem relaxados. Além disso, os pés devem estar apoiados no chão ou em apoio apropriado para que a perna forme um ângulo próximo de 90º
» Sempre que possível espreguice, alongando o corpo
Parado ou de pé
» Sempre que possível é útil descansar o pé em um suporte (banquinho, caixa…)
Andando
» Não ande com as costas curvadas à frente, ande olhando para frente com uma postura ereta, relaxada e não extremamente rígida
Abaixar
» Não curvar as costas
» Flexionar ou apoiar no chão os joelhos
Pegar peso no chão
» Não sobrecarregar as costas, curvando-a
» Flexionar os joelhos para dividir com as pernas o peso do corpo e da carga
Carregar peso
» Levar o peso junto ao corpo, mantendo um ângulo próximo de 90º no cotovelo
Dormir
» Não se manter rigidamente esticado
» Não dormir de barriga para baixo
» Se dormir de barriga para cima, apoiar a parte de trás dos joelhos em uma almofada
» Se dormir de lado, coloque um travesseiro no meio dos joelhos
Travesseiro
» Escolha um travesseiro que se adapte à altura do pescoço, tomando cuidado com travesseiros muito altos ou muito baixos
Pia/Mesa de passar roupas
» Mantenha o corpo ereto, porém não tenso
» Mantenha um dos pés um pouco a frente do outro e flexione levemente a outra perna para garantir um descanso para as costas
» Preste atenção na altura da pia/bancada/mesa de passar para que o corpo não fique curvado ou os braços muito levantados
Varrer a casa 
» Escolha uma vassoura com o cabo que tenha a altura acima de seu ombro
» No cabo, uma mão segura a extremidade e outra vai à altura um pouco acima da linha da cintura
» Quando estiver varrendo, não curve as costas. Mantenha-se ereto e sempre que necessário, flexione levemente os joelhos
Subir escadas 
» Quando estiver subindo escadas, não curve muito as costas, tente se manter ereto, colocando o peso do corpo na perna de trás e sempre que possível utilize o corrimão
Carregar sacolas
» Para carregar diversos tipos de peso, prefira dividí-los em duas partes, carregando uma em cada mão, assim mantendo a coluna balanceada

By engevibra

Artigo: Cirurgia menos invasiva da coluna é tendência

Por Prof. Dr. Luiz Pimenta 

Há muitos anos, as cirurgias minimamente invasivas deixaram de ser procedimentos experimentais; hoje elas já são realidade. Podemos citar as cirurgias minimamente invasivas feitas por endoscopias e por via percutânea, nos acessos abdominais e nas articulações. Na área da coluna vertebral, essas cirurgias são possíveis para casos selecionados de várias patologias, como hérnia de disco, degenerações discais, compressões, escolioses e escorregamento vertebral, entre outras.

Os objetivos de uma cirurgia menos invasiva devem ser os mesmos de uma cirurgia tradicional. Porém, ao contrário do que pode parecer à primeira vista, realizar um procedimento com menos invasão não necessariamente quer dizer que a cirurgia é feita por um pequeno corte ou com ajuda de câmeras ou microscópios. Em linhas gerais, essas técnicas minimamente invasivas se preocupam em causar o menor dano possível aos elementos internos do corpo que estão saudáveis. Assim, podemos ter um efeito positivo do procedimento cirúrgico diminuindo os efeitos colaterais imediatos ou em longo prazo.

Para os pacientes, os benefícios são diversos: menor perda sanguínea, menor necessidade de internação em UTI, menor tempo de estadia hospitalar, retorno mais rápido às atividades diárias e ao trabalho. Com o paciente se movimentando e andando mais rápido, pretendemos evitar complicações relacionadas aos longos períodos acamado: infecção hospitalar, doenças pulmonares, trombose, além da potencial diminuição de custos ao paciente, hospital e convênio (público ou privado). Com menor agressão cirúrgica, alguns pacientes mais idosos ou mais debilitados, que não poderiam ser submetidos a cirurgias tradicionais (mais agressivas), podem ser beneficiados.

A incorporação de novas tecnologias para melhoria de resultados na saúde já é realidade em alguns locais do Brasil. Entretanto, o avanço da divulgação desde procedimento, da aparelhagem dos estabelecimentos de saúde, do treinamento e educação adequados ainda é um ponto limitante na difusão dessas técnicas, em especial longe dos grandes centros. A implementação inicial e o custo imediato precisam ser balanceados com a redução de custos indiretos e a médio prazo. É fundamental romper paradigmas e analisar a relação custo/benefício real a longo prazo para disponibilizar melhores tratamentos com menor impacto físico e social.

 

* Luiz Pimenta é diretor do Instituto de Patologia da Coluna (IPC), presidiu a Sociedade Internacional para o Avanço da Cirurgia da Coluna (ISASS) e é professor associado da Universidade da Califórnia, em San Diego (UCSD).

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